sábado, 17 de setembro de 2011

Oficinas Pedagógicas: Um Espaço de Educação Profissional para Alunos com Necessidades Educacionais Especiais Significativas

Oficinas Pedagógicas: Um Espaço de Educação Profissional para Alunos com Necessidades Educacionais Especiais Significativas


Assim, proliferou a idéia de que, independentemente do tipo de deficiência que a pessoa apresenta, bem como do grau de seu comprometimento, esta tem o direito imediato de viver e de trabalhar no espaço comum da vida em sociedade.
Para que isto seja viável, entretanto, o contexto social precisa se modificar, e promover as adaptações que se mostrarem necessárias para responder ao conjunto de necessidades especiais apresentadas por essas pessoas.
A esta nova forma de pensar, denominou-se Paradigma de Suportes.
As Oficinas Pedagógicas, então, neste novo contexto de idéias e de práticas, confronta-se com a necessidade de promover os ajustes que as insiram no espírito de um novo paradigma, filosófica e legalmente fundamentado neste país.

Aspectos Metodológicos

Objetivos da Oficina Pedagógica
Embora a questão do trabalho permeie todas as etapas da escolaridade e níveis de ensino, a Oficina Pedagógica é a instância responsável pela 1ª. etapa – Iniciação para o Trabalho, historicamente realizada nas escolas especiais governamentais, ou nas organizações não governamentais.
Cabe a ela o ensino de competências e habilidades básicas, essenciais para o funcionamento do aluno em todas as instâncias da vida em comunidade, e especificamente, na instância do mundo ocupacional.
Assim, ao invés de se investir no ensino de uma atividade profissional específica, esta deverá ser uma atividade para o ensino das competências e habilidades básicas.
A quem se destinam embora a questão do trabalho permeie todas as etapas da escolaridade e níveis de ensino, a Oficina Pedagógica é a instância responsável pela 1a. etapa – Iniciação para o Trabalho, historicamente realizada nas escolas especiais governamentais, ou nas organizações não governamentais.
Cabe a ela o ensino de competências e habilidades básicas, essenciais para o funcionamento do aluno em todas as instâncias da vida em comunidade, e especificamente, na instância do mundo ocupacional.
Assim, ao invés de se investir no ensino de uma atividade profissional específica, esta deverá ser uma atividade-meio para o ensino das competências e habilidades básicas.

Método de Ação

São várias as considerações que devem ser feitas no que se refere ao método de ação das Oficinas Pedagógicas:

1. Atendimento individualizado
Há que se garantir atenção individualizada, a cada aluno. É essencial que se conheçam as possibilidades e as necessidades educacionais especiais de cada um dos alunos, os interesses profissionais. É também essencial que se conheçam as peculiaridades e características do mundo ocupacional existente e disponível na região.
A partir de tais dados, torna-se possível fazer uma avaliação cuidadosa de ambos (demandas e ofertas do mundo ocupacional e peculiaridades do aluno em seu contexto amplo de existência), o que permitirá o delineamento de um Plano de Ensino efetivo e significativo.
Sem uma avaliação criteriosa, cuidadosa e contínua, um currículo individualizado voltado para a Educação Profissional não será adequadamente desenvolvido.
Assim, o Plano Individualizado de Aprendizagem torna-se um instrumento crítico de planejamento para uma efetiva educação profissional.

2. Elaboração de Plano Individualizado de Aprendizagem
O Plano Individualizado de Aprendizagem, deve ser elaborado para cada aluno, a partir de um conjunto de análises:
1. ecológica
2. funcional profissional
Entende-se por avaliação ecológica, “um tipo mais amplo de análise, voltada para a busca de uma maior compreensão sobre o indivíduo, em todas as ecologias e ambientes de sua vida...A análise ecológica, assim, envolve:
1. A identificação da necessidade potencial de habilidades, por parte do aluno
2. A identificação do uso que o indivíduo faz de suas habilidades nos contextos de sua vida real, e a identificação de seus interesses e objetivos, bem como das pessoas que lhe são significativas,
3. A identificação de suas necessidades de suporte e dos sistemas de suporte disponíveis.” (Maxwell & Collet- Klingenberg, 1988, pp. 157).
A avaliação ecológica, portanto, essencial para a elaboração do Plano Individualizado de Ensino, procura produzir o conhecimento mais amplo possível sobre cada aluno, sua história, seu contexto de existência, suas características, os determinantes que atuam sobre ele, suas necessidades e desejos, necessidades de suporte, bem como os sistemas de suporte disponíveis na comunidade em que vive.

Já a avaliação funcional profissional “é mais específica, focalizando as necessidades, habilidades, e interesses do indivíduo, à luz do contexto dos futuros ambientes de trabalho.. Este tipo de avaliação ajuda a determinar quer habilidades e competências o indivíduo apresenta, como estes são usados no trabalho e em ambientes relacionados ao trabalho, bem como que tipo e níveis de suportes são necessários e encontram-se disponíveis” (Maxwell & Collet- Klingenberg, 1988, pp. 157).
Assim, ainda segundo o mesmo autor (p. 7 e 8), faz-se essencial que a avaliação considere os seguintes aspectos:

• A interação entre o professor e os conteúdos de aprendizagem: ou seja, as práticas educativas, em sala de aula: este item supõe, fundamentalmente, a avaliação da qualidade da docência e a natureza da proposta curricular; em outras palavras, a programação da aula: o equilíbrio entre as diferentes capacidades e os diferentes tipos de conteúdo, a seqüenciação dos conteúdos, o método de ensino e os critérios de avaliação utilizados.
• A interação do professor com o aluno e com os demais alunos, em relação aos conteúdos de aprendizagem. Isto inclui prestar atenção à natureza da participação que se exige do alunado, bem como aos apoios que o professor lhes presta, e à relação pessoal / afetiva que se estabelece entre o aluno com necessidades educacionais especiais e seu grupo de colegas.
• A interação do aluno com seus companheiros seja individualmente, com alguns deles, seja com o grupo todo. Isto inclui conhecer o tipo e a qualidade da relação, tanto no campo mais lúdico e afetivo, como em relação com a aprendizagem. Em outras palavras, é identificar se existe ou não uma cultura de trabalho compartilhado.
• Os contextos de desenvolvimento: a escola e a família. No que se refere à escola, interessa tanto a dimensão institucional, como a sala, instância mais próxima da aula, enquanto cenário em que se dão as interações do aluno com os professores, os companheiros e os conteúdos da aprendizagem.

Em síntese
O processo de identificação das necessidades educacionais especiais dos alunos tem que contemplar tanto o próprio indivíduo, com seu aparato biológico de base e sua história pessoal de relação com o meio, como os diversos contextos de desenvolvimento do aluno, sobretudo no que se refere à relação que se estabelece entre eles.
Assim, tanto o indivíduo, como a família e a escola se constituem em focos de análise, na busca da identificação dos meios a serem utilizados para facilitar e favorecer o funcionamento dos alunos com necessidades educacionais especiais.

A Análise da Prática Docente em Sala de Aula
Outro elemento essencial de análise é o processo de ensino, propriamente dito, que tem como protagonista, o professor.
Como é que o professor se relaciona com os conteúdos que lhe cabe socializar? Que domínio do conhecimento ele tem?
Como é que o professor se relaciona com os alunos? Qual é o nível de conhecimento que ele tem sobre as peculiaridades e o processo do aprender de cada um deles?
Como é que o professor avalia a relação dos alunos com os conteúdos que ele está ensinando?
Como avalia a relação do aluno com ele próprio, professor, e com seus companheiros?
Como é que o professor se utiliza dessas informações? Ele as incorpora para promover ajustes no seu plano de ensino? Ele as ignora? Ou ainda, ele não dispõe do hábito de efetivar tais estudos e análises?
Todas estas informações, aliadas às referentes à instituição escolar e às peculiaridades dos alunos são essenciais para a elaboração de uma análise compreensiva da relação de ensino e aprendizagem, para a identificação das necessidades educacionais especiais presentes no alunado, e para a implementação dos ajustes pedagógicos e das adaptações curriculares que permitirão melhores condições de sucesso para a aprendizagem dos alunos.
Para que essa análise, entretanto, possa ser efetivada no cotidiano da sala de aula, há que se:

1. Definir os indicadores que devem ser investigados (como é que o professor facilita a aprendizagem dos
alunos). Sugere-se que se identifique:
• Se o planejamento da unidade didática é adequado
• Se o professor consegue levar a término as atividades que iniciou
• Como o professor explica os conteúdos
• Que método de ensino adota
• Se o professor desenvolve atividades para comprovar a compreensão dos conteúdos, através da explicação destes pelo próprio aluno
• Se, em conseqüência da atividade acima, o professor adota medidas de ajuste em sua prática de ensino
• De que naturezas são os ajustes que o professor proporciona ao aluno
• que tipo de participação o professor pede ao aluno durante a aula
• Se o professor utiliza ou não estratégias de aprendizagem
• Quais as atividades de avaliação o professor utiliza, e como usa a informação obtida junto com os alunos
• Como é a relação afetiva do professor com os alunos

2. Definir o método a ser utilizado para obter a informação mais relevante
• A observação direta e a análise qualitativa dos dados parecem ser os instrumentos mais valiosos para obter as informações pretendidas. Sugere-se, inclusive, que sejam desenvolvidos protocolos de observação, que podem ser compartilhados por mais de um professor, e sempre complementados para atender peculiaridades de alunos específicos.

3. Definir de que forma se deve dar a cooperação entre o professor da sala de aula, e o professor de apoio.
A cooperação entre o professor da sala de aula e o professor de apoio deve ser planejada em duas direções:
• Na elaboração dos protocolos de observação, que devem obedecer aos critérios de objetividade e de fidedignidade
• Na realização da observação direta, propriamente dita. Implementação de Apoios na Construção de uma Educação Profissional Inclusiva como em qualquer outra modalidade de ensino, a Educação Profissional, se pretender atender a todos, numa escola de qualidade, deverá se ajustar, em seus procedimentos, para ensinar individualizadamente.

Para tanto, cada aluno precisa ser profundamente conhecido, pelo professor, em seus interesses, competências, habilidades, nível de aprendizagem já alcançado, conhecimentos já apreendidos, conhecimentos em utilização funcional, conteúdos que opera com autonomia, conteúdos que opera com ajuda de terceiros, conteúdos que não opera sequer com ajuda, limitações diversas, suportes e apoios necessários para seu funcionamento, etc..
O ensino somente poderá ser eficaz, caso ele responda às características peculiares de aprendizagem de cada aluno.
Assim, faz-se essencial:
• Avaliar cada aluno, em particular,
• Identificar suas características funcionais no processo de ensino e de aprendizagem,
• Identificar suas necessidades específicas, identificando as necessidades especiais que apresenta,
• Identificar os suportes de que o aluno vai necessitar para poder funcionar em seu nível ótimo possível,
• Planejar a implementação desses suportes ao longo do tempo, implementando os suportes necessários, e,
• Avaliar os efeitos de suas ações no processo de aprendizagem, de desenvolvimento e de aumento das possibilidades de inserção do aluno no mundo social, em geral, e no mundo produtivo, em especial.
Parcerias com empresas e outras organizações ligadas ao mundo produtivo são importantes para favorecer ao aluno a experiência refletida e consciente sobre o que é a atividade humana, o papel e função social do trabalho, o papel e função do trabalho na constituição da subjetividade e da identidade do ser humano, a participação ativa e consciente na gestão do trabalho, enquanto atividade pessoal, e enquanto pilar fundamental de uma sociedade, já que é no âmbito político-econômico que se constroem as relações de trabalho e as relações que permeiam a vida na sociedade.

Objetivos de aprendizagem na Oficina Pedagógica

A partir da avaliação e da elaboração do Plano Individualizado de Aprendizagem, cada aluno terá um documento norteador para seu processo de aprendizagem, contendo as habilidades e as competências gerais e específicas a serem alcançadas, de forma a
atender suas necessidades e desejos, levando em consideração sua realidade de existência e o conjunto de suas necessidades especiais.
Cabe à escola buscar, junto às Escolas Federais, aos Sistemas, às Organizações não Governamentais, às Secretarias de Trabalho e Emprego, informações sobre o mundo ocupacional local, no que se refere à: demanda ocupacional, nível de exigência de qualificação profissional, dentre outras informações que deverão nortear todo o trabalho de ensino na Oficina Pedagógica.
Assim, ao final do programa vivenciado na Oficina Pedagógica, o aluno deverá, nas diferentes áreas em que se dá sua existência real e concreta, ser capaz de utilizar suas habilidades e competências, gerais e específicas, para a realização das tarefas a ele apresentadas, em qualquer situação do mundo ocupacional.
A seguir, apresentar-se-á uma relação ampla de competências e habilidades a serem trabalhadas no âmbito da Oficina Pedagógica.
1. Área Econômica
Estrutura Econômica
• Autonomia – tem condições econômicas para viver às custas de seu próprio trabalho, ou renda pessoal.
• Estabilidade – sua renda mensal é garantida, não estando sujeita a alterações inesperadas.
• Perspectiva – caracterização da possibilidade econômica do aluno, a longo prazo. Por ex. ele tem autonomia e estabilidade que lhe garantam auto-suficiência, ou provisão de recursos após o falecimento de seus pais, ou dos
responsáveis por ele?
2. Área Física
Perfil
• Tolerância – qual seu limiar de tolerância quanto ao tempo de permanência em uma determinada posição, quanto à carga a suportar, etc..?
• Postura – posiciona-se corretamente? Necessita feedback quanto à postura?
Necessidade de Adaptação
• Ambiente – necessita de mudanças nas características do ambiente, para acessar, utilizar e usufruir o espaço desejado?
• Maquinário – necessita que os equipamentos e materiais de um ambiente sejam adaptados para que o aluno deles possa se utilizar?
• Objetos – necessita de modificações nos objetos (colher, garfo, etc..) para que deles possa se utilizar?



Fonte de Pesquisa:

Hanley-Maxwell, C. & Collet-Klingenberg (1997). Curricular Choices Related to Work. Em Wehman, P. & Kregel, J. (Eds.) Functional Curriculum for Elementary, Middle, and Secondary Age Students with Special Needs. Texas: Pro-Ed.
Kuenzer, A. (1988). O trabalho como princípio educativo. São Paulo: Editora Cortez.
M.E.C. (2002). Programa de Educação Profissional. Plano de
Ação para 2002. Brasília: SEESP/SEMTEC.
Tomasini, M. E. A. (1993). Trabalho e deficiência mental: uma questão a ser repensada. IX Encontro dos profissionais que atuam na área da Educação para o trabalho. Florianópolis (SC): F.C.E.E.

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